(Source: amoremdoseselevadas, via verbosdiversos)
e vi ali o mundo desabar, a lágrima ser dor. Não reconheci seu olhar e seu toque ficou frio. O que é isso que nos mantém sem que haja motivo? Por quê? São tantos porquês.
Delato aqui tudo o que consigo expressar em palavra, pois agora os sentidos me fogem. O sentir me desdobra em (des)compaixão. E posso te ver partir, encontrar quem te ofereça moradia e mente desprotegida. As verdades em que acreditamos viram poeira e eu deixo de ser estrela quando a ponta dos seus dedos encontra minha pele assustada. Andamos em passos lentos, enquanto a linha que nos separa e a que nos mantém dividem-se sobre a mesma tenuidade do céu que encosta na terra firme. Hoje estou quebradiça, então me perdoe, amor. Eu posso lembrar do seu riso quieto e do seu silêncio gritante, do seu abraço que me era escape para um mundo que seria nosso. Mas, o que sobra para nós após as partidas e os porquês? O que não se justifica cala o meu silêncio, e então te procuro em busca de respostas sabendo que seu olhar vai me enxergar fundo sem proferir palavra alguma. Eu continuarei aqui e você irá se intrigar por me ver aqui, intacta, à espera, sem motivo. Sim, há motivos, mesmo que desconhecido! Eu bato no peito exclamando certeza - a certeza que você acredita que não tenho.
Toca uma música, amor. Quebra o gelo que escorrega rápido sobre as nossas verdades e me faz perceber que as mentiras estão todas lá fora. E se agora eu resolver partir? Isso também te intriga? Talvez você tenha um plano B. Talvez não tenha planos e ainda seja meu menino do olhar sabor-mistério-caramelado, do amor que não é dito e do controle que tem sobre si mesmo. Talvez não seja meu e é aí o momento em que preciso renascer longe de ti, em que prefiro não ser entendida nem descoberta por ninguém mais. Por mais que o inicio esteja intitulado com a primeira letra do seu nome.
Amor, eu queria que
hoje você me encontrasse
sem ter motivo.”
Zainab Nader.
(Source: enlacos)